As versões acústicas para músicas originalmente constituídas por várias camadas sonoras (criadas por uma série de instrumentos) são o teste final para se verificar a consistência, inspiração e qualidade da faixa inspiradora. Quando despidas do paredão sonoro original, inúmeras canções mostram uma incrível falta de criatividade e coesão musical quando transportadas para a realidade acústica (se distinguindo do momento plugado que trazia a nebulosa impressão de uma faixa bem construída). A banda canadense de rock progressivo "Saga" passa incólume pelo teste "Plugado X Acústico", com a canção "Scratching the Surface" (cuja versão plugada já foi tema de um post aqui no blog) do álbum "Heads or Tales" (1983).

A versão desplugada (Jim Gilmour: teclado e vocal) cria uma nova e consistente feição sonora para a faixa, realçando o lirismo e a límpida harmonia da composição. A versão original da música oferece uma densa sobreposição de camadas sonoras [teclados, guitarra, baixo, baterias (eletrônica e acústica) e vocais)], refletindo temas e arranjos musicais eloquentes [sem causar o empastelamento sonoro típico da década de 1980) ], que espelham o épico-distópico que é o tema lírico da canção. Já a versão desplugada mantém a força e a dramaticidade da música, levando-a a um terreno mais intimista e melancólico.

O assunto de "Scratching the Surface" é mostrar como a mídia tem o poder de alienar e viciar indivíduos através de uma agenda noticiosa espetacularizada, descontextualizada e manipuladora. Um dos personagens da história observa o alto grau de entorpecimento letárgico de seu par e faz um chamamento rumo a uma vida expressiva e real que existe para além das telas, com o objetivo de resgatar o relacionamento.


Atualmente, o que se observa em vários dos principais meios de comunicação mundiais é a promiscuidade da relação notícia, parcialidade e lucro a qualquer custo. Assim, a abordagem noticiosa é movida por interesses econômicos muitas vezes escusos e travestidos de supostas notícias imparciais de interesse público. Seguindo a premissa dos critérios de noticiabilidade atuais (desviando-se com frequência da qualidade informacional), procura-se a vendagem rápida e massificada de produtos/serviços. Com este enfoque pernicioso, a notícia é desvirtuada em um mundo de celebridades superficiais idolatradas, avalanche de acidentes e violências fragmentados e sem síntese de entendimento (um grande videogame imposto), seguindo uma agenda aparentemente isenta (e artificiosamente manipulada por vários barões da mídia dependentes de corporações que ditam o "empacotamento noticioso"). Dessa forma, não é de se admirar que um tema de grande relevância que é a alteração do Código Florestal Brasileiro (talvez um dos mais importantes que já passaram pelo Congresso na história da nação) tem tido tão pouco destaque (relegado a espaços secundários) em vários dos grandes conglomerados noticiosos do país.
Como explica a teoria do sociólogo Georg Simmel (1858-1918) sobre o embotamento sensorial dos indivíduos nas grandes metrópoles, a intensificação e a ampliação dos estímulos nervosos gerados nas tensas inter-relações entre as pessoas, cujo combustível principal é o de ganhar dinheiro, as tornam mais egoístas, indiferentes, acríticas e desumanizadas no ambiente superpopuloso e estressante das gigantescas cidades. Com isso, é gestado o indivíduo blasé, uma sombra de um cidadão que deveria se preocupar com o seu entorno: a preservação do meio ambiente, o respeito aos pares e às instalações, aos espaços e aos objetos de sua metrópole.
O sujeito de comportamento blasé percebe as incoerências, mazelas a atrocidades do mundo a sua volta, no entanto, perdeu a sensibilidade, a comoção e qualquer poder de reação a favor da melhoria do ambiente em que habita. A desmesurada competição mergulhada em uma vida moldada pelo princípio de uma busca frenética por enriquecimento, poder e status tornou-o um autômato frio e calculista. Um corpo humano destroçado por determinado automóvel ou o que aparece mutilado em uma foto de jornal já não sensibiliza mais, pois é imagem banalizada e manjada de um mundo em que as "linhas de montagem" espetacularizam, empacotam e lucram com representações de sua desgraça.
/Scratching the Surface - Ao Vivo na Alemanha (Versão Desplugada)/
//COORDENADAS//
/Imagens/ todas as imagens, com exceção da Imagem (2): Capa do disco do Saga, foram retiradas de uma matéria do Site "The DPhoto" (dica do Site: "GJOL"), que mostra exemplos de fotos de longa exposição. Esta técnica oferece efeitos visuais exóticos, vibrantes e surreais.
/Imagem (1)/ Órbita (Foto: Burnblue).
/Imagem (2)/ Capa da coletânea "The Defining Moments (Volume 1)" (1994) da banda Saga.
/Imagem (3)/ Respiro (Foto: Digitalpimp).
/Imagem (4)/ Llyn Gwynant I (Snowdonia - Irlanda) (Foto: CowGummy).
/Imagem (5)/ Lua Escondida (Foto: Garry / Site: Vision and Imagination).
/Imagem (6)/ Correndo e Balançando com Fogo (Foto: Alexkess).
/Imagem (7)/ Isto não é sobre Quem Você é, mas Quando Você não Está (Foto: Jon Martin).
/Imagem (8)/ Parque Nacional de Burleigh Heads (Austrália) (Site: Vision and Imagination).
/Imagem (9)/ Teletransporte Isto (Foto: Garry / Site: Vision and Imagination).
//Outra Fonte// Wikipédia.